Publicado em pensamentos

Amigo de todos é amigo de ninguém.

 

 

“Queria fazer falta para alguém.”

Quando ela encosta a cabeça no travesseiro para dormir, e fica se debatendo de um lado para outro até adormecer, os pensamentos surgem, as interrogações, a solidão, a carência.
Relembra bons momentos vividos com seus amigos tempos atrás, telefonemas, mensagens no celular e convites para sair nunca lhe faltaram. Sempre era lembrada. E hoje ao se deitar, o coração aperta tanto até escorrer a primeira lágrima de seus olhos. Esquecida não está, mas o ritmo dos convites, dos amigos, das saídas, despencou. Depois de lembrar e lembrar, volta a realidade e se vê realmente sozinha. Um sentimento de culpa e frustração invade pelo fato de se comparar a muitos e ver aonde todos chegaram, e perceber que pra si, o tempo só passou e ela praticamente assistiu. E muito deste tempo, passou investindo muito mais nos outros do que em si mesma. Vê-se numa encruzilhada, pressionada por ter que decidir que caminho tomará daqui pra frente. Chega de tentar e desistir, é preciso arriscar e ir até o fim desta vez.
Os pensamentos retornam às amizades, ou a falta delas. Percebo que mesmo ela estando rodeada de pessoas que tem um carinho grandioso e a estimam muito, isto não é suficiente para cobrir a sensação de estar sozinha. A adaptação da sua nova realidade tem carregado consigo estas dificuldades, a necessidade de conquistar novas amizades, e buscar aquela que valha a pena de ser chamado ‘melhor’ amigo. É compreensível?? Eu a entendo.
Durante o fim de semana tudo vai bem, a dificuldade mesmo vem na segunda-feira, terça-feira… quando realmente se vê sem ninguém por perto.

Ao virar para o outro lado da cama, as lembranças também mudam. E desta vez, vem à tona seu primeiro amor, seu primeiro companheiro, seu primeiro sonho, sua primeira desilusão. Apenas observo. Neste vazio que agora sente, lembra-se das vezes que simplesmente passeavam no parque, e caminhavam ou de quando estendiam a tolha na relva e abriam os lanches. Lembra-se das vezes que riram juntos de piadas sem graça, ou simplesmente rirem um do outro. Lembra-se dos planos, dos sorrisos, dos abraços e amassos, das orações e choros juntos, e assim relembra seus últimos 6 anos onde sentiu-se completa. Durante meu silêncio, tento entender a sua mente, e entender porquê não consegue lembrar e pesar o lado negativo para livrar-se desta tristeza. Concluo que isto tem o nome de AMOR. I Co 13

Ainda sem conseguir embalar no sono, vejo que decide por começar uma conversa com Deus. Escuto atenciosamente cada palavra, cada agradecimento, cada arrependimento, e muitas vezes, só ouço a lágrima. ‘Sua fuga e consolo tem sido ler a Palavra de Deus e ter um tempo com Ele diariamente. E isto tem feito diferença em sua vida. Creio que se não o fizesse, certamente seu consolo seria novamente as tarjas pretas. Desta vez, sua postura, mais madura, abriu seus olhos para tomar a melhor decisão mesmo não sendo a mais fácil’.

Finalmente, consegue adormecer. Mas eu continuo ali, ao seu lado, observando e esperando seu despertar.

Meu desejo verdadeiro é vê-la feliz, realizada. Primeiro, consigo mesma, e consequentemente…

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Autor:

Escrever é enfiar o dedo na garganta.

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