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Então é natal…

Sei que o Natal está chegando mas  ainda faltam alguns detalhes, e um deles  é terminar de ajeitar nosso presépio. Minhas pernas estavam com vários arranhões devido aos galhos e espinhos que roçaram quando fui com meu pai cortar o pinheiro.

Ao chegar em casa  ajudei minha mãe a enfeitar nossa árvore de Natal. Ajeitamos os presentes e pronto! Mas eu era uma criança, queria  abrir já os meus presentes. Contudo, precisei esperar a noite do dia  24 chegar, o que pareceu ser uma eternidade.

Mal dormi a noite de tanta ansiedade! Era meu dia preferido, depois do dia do meu aniversário. Minha mãe começou os preparativos para nosso jantar, e meu pai… não consigo lembrar. O dia parecia não passar e eu só contemplava aqueles belos embrulhos coloridos!!

Ouvi alguém bater na porta e era minha amiga Patrícia Ines, do 7º andar, veio me chamar para subir ao seu apartamento pois seus avós estavam ali e tinham um presente para mim. Mais do que depressa subi, afinal era um presente que poderia abrir antes da hora. Ao chegar os seus avós vieram me abraçar, apertaram minhas bochechas como de costume e entregaram-me o tal embrulho. Lembro do meu desespero para abri-lo, rasguei todo o papel, e quando vi o que era, meus olhos brilharam: mais uma Barbie para coleção. Era linda!

Finalmente o dia começou a anoitecer e preparei-me para o banho, vesti-me e fui para a sala de jantar. Meu pai apareceu e ajudou minha mãe a pôr os pratos e a comida na mesa. Tipicamente brasileiro, lembro que havia farofa, maionese, arroz e frango (eu desconfio que era frango). Um bela toalha natalina com bordados nas pontas estava sobre a mesa e haviam daqueles guardanapos grossos e cheios de desenhos.

Retrato congelado: mãe, pai, meu irmão e eu. Essa é a imagem que carreguei e carrego sobre o Natal, a família estava reunida, a minha família.

Terminado o jantar, corro para debaixo da árvore desesperada já perguntando se já era permitido procurar os meus presentes e abri-los. É nesse momento que começam as distribuições. Recordo-me do jogo de banco imobiliário que ganhei, uma Barbie e algumas peças de roupas. Meu pai deu ao meu irmão o videogame que ele tanto queria, e esta foi a primeira vez que via meu irmão chorar. A parte mais engraçada que gosto de lembrar é de quando meu pai deu o cd do Eros Ramazotti a minha mãe e foi dançar com ela. Fiquei dividida entre olhar os dois ou brincar com meus presentes.

E assim foi a última noite de Natal que tenho recordação, talvez a única que consigo lembrar, enquanto ainda estava em Portugal.

Hoje, após 13 anos, esse é o retrato que tenho do que é o Natal e quem é minha família. E digo que, nesses últimos anos, nunca mais consegui ter um Natal assim. No início, as recordações vinham e eram só lágrimas, pois era sempre aquela data que me trazia esperança de que meu pai chegaria.

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Autor:

Escrever é enfiar o dedo na garganta.

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