Publicado em coisas, cotidiano, pensamentos

chorei #1

O aperto no peito foi tão grande que espremeu pelos olhos
as lágrimas que há tempos não escorriam pelo meu rosto.
Sinto a garganta seca, o rosto molhado e
uma necessidade de ser abraçada.
Não precisa dizer nada, apenas estar.

Continua…

 

 

trilha do post: Goner – Twenty One Pilots

 

 

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infância #1

Eu não consigo lembrar muita coisa da minha infância. Não consigo sequer saber o que é ter um pai e qual a função tem. Só vi seu rosto por foto, e raramente ouvi falar dele. A história que sempre contaram foi de que, assim que nasci ele resolveu separar-se de minha mãe. Depois disso, ele desapareceu e nunca falei com ele. Mas eu lembro da casa antiga da minha avó, que foi a pessoa que mais esteve presente, já que minha mãe precisava trabalhar e assim ausentou-se boa parte da minha vida.

Enquanto criança gostava mesmo de ficar na rua, soltando pipa, jogando bola..
Mesmo tendo os amigos da rua, procurava passar a maior parte do tempo fora de casa, porque eu não gostava do que sentia quando chegava em casa. Não consigo lembrar da minha mãe me cobrindo à noite, me fazendo um cafuné, ou se mostrando interessada pela minha vida. Mesmo me esforçando não consigo lembrar se tive alguém para  sentar comigo à mesa e me ajudar nos deveres da escola. Possivelmente, não.

Comecei a me sentir ignorado, até um pouco abandonado, e inconscientemente meu comportamento na escola mudou. Sempre procurava desafiar os professores, andava sempre rodeado de meninas, e finalmente não me sentia mais inferior. Ganhei popularidade na escola por ser o “amigo” das meninas e por saber falar muito bem em público. Fiquei conhecido por todos, e também visitava com freqüência sala da diretoria para assinar advertências e suspensões.

Depois de um tempo comecei a ter aulas de artes marciais, e isso só veio ajudar com minha autoconfiança (mal eu sabia que isso não passava de mais uma máscara que criei para mim mesmo). As meninas se derretiam porque eu era legal, sempre bem humorado, as ouvia sempre que precisavam, era um ótimo amigo, e ainda por cima lutava. Já os meninos invejam essa reputação que construí. Aqueles que se aproximavam eram porque queriam ser como eu. Meu ego acabou se tornando maior que eu.

Sobre o ambiente familiar, posso dizer que praticamente não ouvi ‘NÃOS’, e quem estipulou limites na minha vida fui eu mesmo. Quem me disse o que era certo e errado, fui eu mesmo, vivendo.

Quando atingi uma idade que me permitiu começar a trabalhar, não perdi tempo. Devia ter uns 14 anos quando perambulava sozinho com meu walkman, pelo centro fazendo as minhas entregas. Assim comecei a ganhar meu próprio dinheiro. Consequentemente, conquistei realmente a independência, minha e de família. Agora eu podia bater no peito e dizer que eu me bastava e não precisava de ninguém MESMO. Se até então, havia crescido sem ser notado, agora eu já era um adulto e não era necessário dar satisfações.

Sempre me considerei autossuficiente, e por causa disso eu passava segurança pra quem estava comigo. Nunca fui do tipo de pedir ajuda, afinal, se eu me metia em enrascada, não deveria incluir outras pessoas nisto. Eu mesmo deveria ser capaz de sair dos meus problemas. Me ‘abrir’ pra alguém, jamais. Isso definitivamente não precisava, afinal nunca havia precisado de ninguém em toda a minha vida, poderia muito bem me virar sozinho. E sou homem!

Pensando um pouco nesta pequena retrospectiva da minha vida, enxergo a falta de raízes criadas, fundamentos e valores familiares. Na verdade a minha vida sempre girou em torno de mim mesmo. Meus relacionamentos sempre foram superficiais porque nunca permiti de fato ninguém fazer parte da minha vida. Percebi que sempre houve uma necessidade da minha parte em provar para todos que: EU posso, EU consigo, EU faço, EU estou correto, EU, EU, EU… No fim das contas não trata-se de egoísmo, é orgulho, é soberba, é carência!

Mas teve um momento que (quase) fui completo. Se eu não fosse tão babaca, hoje eu seria completo. Porque um dia teve alguém que me valorizou, alguém que se preocupou comigo verdadeiramente, alguém que acreditou em mim sinceramente, alguém que supriu toda essa carência de anos. Teve alguém que me amou incondicionalmente, e teve alguém que eu desperdicei, que eu joguei no lixo. No fim das contas, quem foi pro lixo fu eu.

trilha do post: Papaoutai – Stromae
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Não é murmuração, não é desculpa,
muito menos desinteresse.
Não é sentimentalismo, não é lamentação,
nem mesmo uma exigência.
Não é contestação, não é um pedido,
sequer uma advertência.
Não é sono, não é falta de tempo, não é dor física,
muito menos depressão.

Ou até seja.
Talvez.
Ué..Quem sabe?

trilha do post: Pyro – Kings of Leon
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a boneca.

“vai usar essa roupa?”
“por que não bota uma maquiagem?”
“bem que você podia usar seu cabelo de outro jeito né?”
“olha a postura, amor.”
“vc não pode falar assim..”
“vc não… vc poderia…vc não deve…vc deve…”

amigo, vc não precisa de uma mulher, não sabe cuidar de uma.
vc precisa de uma boneca. aproveita que o natal tá chegando e pede pro Santa Claus.
porque, meu caro, mulher não se controla, mulher se respeita.

 

trilha do post: Everyday – A$AP Rocky & Rod Stewart
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eu já gosto de você

 

gosto dos seus olhos, do seu cabelo, do seu sorriso

gosto do jeito que me olha e me deixa sem graça
gosto da forma como me trata, que fala comigo

seu bom humor e seu jeito “menino” de ser me ganham
ou, quando sua imaginação quando se encontra com a minha
e as duas criam uma história sem fim

gosto da forma que me abraça
mesmo eu não gostando de abraços
eu me esconderia no seu abraço sempre

gosto de como gosta de mim.

talvez eu nem saiba quem é você, ou talvez a gente já se conheça,
mas quem quer que você seja..
eu já gosto de você.

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I like your eyes, your hair, your smile

I like the way you look me and makes me feel shy
I like the way you treat me and the way you talk to me

your good mood and your “child boy” way of being caught me
or
when you imagination meets mine and creates
an unending story

I like when you hug me
even I don’t like hugs
I’d hide forever in your embrace

I like the way you like me

maybe I don’t know you yet or maybe yes
but whoever you are..
I already like you.

trilha do post: Você me faz tão bem – Detonautas
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cuide

não significa comprar flores, abrir a porta do carro e trazer café.

cuidar é sinônimo de presente. não substantivo, mas verbo. estar.
estar lá quando ela menos e mais precisa; quando o dia brilha radiante ou quando chega a escurecer de tanta tempestade. se você não estiver, alguém estará, mesmo que seja a ausência.

cuidar é sinônimo de amor. não apenas na fila do restaurante, ou na cama, mas na descoberta da doença. quando perde o emprego. quando perde a mãe.

cuide. esteja.

porque se você não cuidar, alguém cuidará. se você não estiver, alguém estará.
mesmo que seja apenas o vazio.

trilha do post: Save me, I’m yours – Gene
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por quê?

por que o medo nos consome e nos impede de expressar o que verdadeiramente sentimos?
por que sentimos medo de dizer que estamos apaixonados?
por que sentimos uma agonia por sentir esse medo?
por que nos preocupamos tanto com as possibilidades?
por que sentimos medo de sermos taxados de ridículos pelo simples fato de dizer que gostamos de alguém?
por que esquecemos lá na infância a pureza e a ingenuidade e substituímos pela malícia e pelo medo?
por que deixamos lá na infância aquela coragem de falar e fazer o que queima dentro de nós?
por que paramos de perguntar “por que”?

trilha do post: Numb – ZHU